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“Manuel” adora ir para a escola

  • Como descreve o seu filho?

O meu filho tem 13 anos e tem uma Multideficiência (neuromotora e intelectual com défice visual e epilepsia associados). É uma criança alegre, bem-disposto, adora ir para a escola, passear.

  • Qual foi a sua reacção inicial e da sua família?

Eu descobri que o meu filho tinha este problema aos 9 meses de vida. No inicio foi um choque. A forma como os médicos me transmitiram foi horrível. O médico até me disse que eu estava a ser castigada. Depois desta situação, consultei vários médicos e todos eles foram frios, não me explicavam qual era o problema do meu filho.

Entretanto fui a uma consulta de neurologia, por iniciativa própria, e fui encaminhada para o Hospital D. Estefânia. Fui bem recebida, finalmente explicaram-me o que o meu filho tinha.

Uma dos meus familiares utilizou esta expressão quando o viu pela 1ª vez “ Mais valia o senhor o levar”.

Quando ouvi isto, senti uma dor que não consigo descrever.

  • Após a aceitação de que o seu filho tinha Necessidades Educativas Especiais, qual foi a sua reacção?

Parei de viver, aliás, durante 5 anos não vivi. Não conseguia ser feliz, apesar de ter o apoio da minha família mais próxima. Sou mãe de mais 3 filhos e um dia andava a fazer limpezas, e por coincidência o diário de uma das minhas filhas caiu ao chão, abriu-se e li, não queria ler, mas acabei por ler. O que li, deixou-me arrepios. Ela tinha saudades de mim, do meu sorriso, das conversas. Sentiam que não tinham mãe.

Fechei o livro e mudei de atitude. Afinal tinha mais 3 filhos e eles também precisavam de mim. Passei dar-lhes atenção, a partilhar os meus sentimentos e principalmente ouvi-los sempre com um sorriso nos lábios.

O facto, de partilhar os meus sentimentos, as minhas angústias com a minha família, ficava mais bem-disposta.

  • Após a descoberta do diagnóstico, qual foi a sua atitude?

Quando descobri o que o meu filho tinha, comecei a procurar informação acerca da sua doença. Comprei um livro. Entretanto o meu filho, passou a ter fisioterapia e foi no Centro de Saúde que encontrei a Equipa da Intervenção Precoce.

Que alivio! Aprendi muito com a equipa. Eu gostava observar os técnicos, porque estava aprender. Enquanto os observava, conversava com os técnicos. Ouviam-me. Eu ouvia uma palavra amiga. No fundo, era o que eu queria ouvir dos técnicos do serviço nacional de saúde. Até aqui tinha sido maltratada.

  • Qual foi o papel da escola?

O meu filho ingressou na escola com 4 anos de idade no jardim-de-infância. Não gostei da postura da escola face à deficiência do meu filho. Sentia que, ele era um incómodo na escola. Os funcionários dedicavam-se a ele com algum desprezo. Criticavam-me por o ter posto na escola.

Diziam ” ela não o quer em casa, ainda por cima não trabalha. Este menino devia estar em casa”. É horrível ouvir isto.

Finalmente encontrei uma professora. Fizemos um trabalho de muita qualidade. Partilhávamos o desenvolvimento do meu filho por correspondência. A professora escrevia no caderno o que ele tinha feito na escola, qual era o seu comportamento. Eu também escrevia o comportamento do meu filho em casa no tal caderno e depois enviava para escola.

Lembro-me que utilizava muitos produtos naturais para realizar actividades com o meu filho. A professora foi-se embora e o meu filho voltou a ser desprezado.

Neste momento o meu filho está integrado numa UNECA. Gosto do trabalho desenvolvido pela professora. Quando entro na sala, sinto que ela dá atenção e amor a todas as crianças.

  • Qual a mensagem que deixa a todos os pais que têm filhos com Necessidades Educativas Especiais?

A todos os pais que têm um filho diferente, deixo-lhes a seguinte mensagem:

Informem-se, vivam e dêem muito amor ao vosso filho.

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